Negro altivo, o grande líder e Filho da grande mãe África, escravizado no Brasil, filho espiritual do grande rei de Oyo, Xangô, homem valente e valoroso guerreiro, senhor da justiça, fogo, trovão e do Oxê sagrado.

Garimpeiro nas Minas do ouro fugiu para o sertão mineiro, acreditava poder voltar um dia pra sua terra natal, África o berço da civilização, dotada de beleza exuberante e de uma riqueza cultural e admirável.

“Minas Geraes”, dourada África de um grande rei!

Na memória viva e oral dos Griôs e aflorada na pele, o rufar dos tambores, os cantos, as músicas, as danças tribais, as comidas e bebidas usadas nas grandes festas, lembranças, coroações do rei Congo, o Rosário, os costumes e as tradições.

Peregrino no triângulo mineiro, em 1725, o grande líder reuniu centenas de negros, assim organizando sua “comunidade” fortificada nos confins das Minas Gerais, construindo um grande kilombo, batizando de Kilombo do “Rei” Ambrósio, nos sertões do Campo Grande, com dezenas de povoações de pretos forros e fujões. Abrigando seu povo, por qual tinha carinho.

Um rei de paz!

Famoso, por sua capacidade de liderar e organizar os trabalhos úteis, feito com alma e dignidade, não praticava guerra, era um rei de paz, porém lutou muito para libertar seu povo do jugo dos homens branco, tornando- se, implacável com seus inimigos.

No sertão mineiro, o agricultor mágico, pelas tuas mãos fazia brotar do chão tudo que plantava em suas roças, havendo uma amizade e respeito entre todos no kilombo, o bondoso o rei agricultor e festeiro, como é conhecido por todos, mantém suas tradições vivas, com muita dança e cantoria nos terreiros, conhecido por distribuir mantimentos de graça para quem não tinha condições de pagar seus impostos em ouro e para a coroa.

A povoação liderada pelo Rei Ambrósio cresceu, com centenas de choças circulares feitas de palha e grandes tijolos de argilas extraído dos rios, com espetos pontiagudos depositados em uma profunda vala, que servia de pinguela e oferecia segurança ao rei Ambrósio e seus mulungus.

A sabedoria de rei Ambrósio, desperta a coroa e aguça os olhos da cobiça, causando um alerta ao Governo das terras Mineiras, devido ao florescer e o enriquecimento do sertão de Campo Grande, enquanto as cidades oficiais, como Vila de São João Del Rei e Vila Rica (hoje Ouro Preto), a grande civilização do “ouro” construída à custa do suor e do sangue real da população escrava trazida da África para se acabar nas minas e nos rios em busca do precioso metal, ficam vazias, devido os fugidos se, direcionarem para a comunidade do Rei Ambrósio, tornando-se cada vez maior e mais poderosa.

A coroa, os ricos e os comerciantes portugueses e outros líderes, decretaram, que a povoação do Rei negro era um kilombo, lugar de refúgio de negros forros, escravos fujões e brancos pobres, que fugiam do sistema tributário da capitação da Coroa Portuguesa, e era preciso destruí-lo.

Surgem os ataques 1741, 1743, 1746.

As expedições de ataques ao kilombo conduzida pelo governador da capitania das Minas Gerais, o Conde de Valadares, fracassou por diversas vezes, sendo vencidos pelos negros sentinelas, os eternos guardiões do kilombo.

No combate a coroa portuguesa, o branco invasor, na cobiça do ouro e diamantes, as quais não tinham valor nenhum para os negros, a não ser a “liberdade”, metais extraídos daquela região, os tesouros, despertam ainda mais os olhos da província e de muitos aventureiros e tropeiros que por lá, se aventuraram a explorar o kilombo.

Kizomba no kilombo…

A resistência e a luta incansável dos negros pela busca da liberdade, pelo poder de dispor de si mesmo, bravos e sofridos guerreiros, que apesar dos horrores da escravidão, jamais se curvavam sob os braços dos acoites, fazendo do pranto lembranças distantes e mantendo livre a alma africana.

Os tambores rufavam na noite de lua grande, trazendo as vozes da África, distante, para os seus anseios de liberdade, fazendo um canal de comunicação entre os negros e o plano de existência. Por longas horas, até aproximação das tropas de capitães do mato, em algazarra de gritos, ouvidos e avistados por sentinelas do alto do morro, em direção aos kilombolas, que trouxe um silêncio total. Os negros que de joelhos ao chão faziam suas preces chamando pelos deuses yorubanos, em uma só voz, por proteção.

Oh! Oxalá, derrame suas bênçãos sobre nós!

De repente do céu um relâmpago ribombou no mundo lambendo com suas faíscas os céus e os infernos.  A presença do rei Xangó sobre a terra.

Sangó dé! Sangó dé! (Xangó está chegando!)   Káwóó kabieyesi! (Venham ver e admirar o Rei)

Passando o ofuscamento, da presença do grande rei de Oyo, ao amanhecer, o silêncio era completo, todos pensavam que os corações das tropas enviadas para destruir o povoado haviam se acalmado, engano!

A visão de centenas de kilombolas descendo os morros: Kilombo Redondo e da Meia Laranja, a caminhar em direção das tropas, com “bandeiras brancas”, fez o líder da expedição, aos berros gritar: tragam-me a cabeça do Rei negro!

Foi aqui o berço vivo de histórias e lutas neste chão, dos anjos negros e contra demônios brancos da coroa, que de repente, surgiram explosões, tiros, às margens do rio, arcabuzes, mosquetes, canhões, fez da batalha vencida mais uma vez, os kilombolas sobreviventes lavados de sangue e os olhos cheios de lágrimas aclamaram o rei Ambrósio como, “Ambrósio o Guerreiro”.

O grande Guerreiro e determinado transfere sua comunidade kilombola, para outra região, o morro do Espia, deixando um pequeno povoado- umas relíquias Ambrosioanas – deixando alguns guerreiros de suas esquadras na comunidade, na região de Cristais, local dos Três Morros, onde deixou dois segredos nunca encontrados.

Dois enormes “potes de ouro” foram enterrados no subsolo desta região, pelo grande Rei e Guerreiro e líder e Monarca da mãe África.

Mas enfim o que foi feito da nossa majestade negra? O grande rei Ambrósio!

Com a bravura do Rei e guerreiro negro, e seus kilombolas, o rei de Portugal mandou acabar com o imposto de capitação. Nossa majestade negra continuou suas lutas pela libertação de eu povo enfrentando outras batalhas no território dos Campos Altos.

Inácio Pamplona, comerciante, mestre de campo e bandeirante português. Morador na região dos Campos Altos, seduzido pela cobiça de ouro e pedras preciosas, conhecido por diversos ataques e perversidades, a mando do governo das “Geraes”, o comandante capitão Bartolomeu Bueno do Prado, a expedição segue para o oeste, com uma artilharia pesada e dois mil homens, para uma grande batalha contra as flechas, lanças, foices e facões dos malungos, mas nada abalava a fé e a confiança da grande majestade.

O rei, traído por um dos seus malungos, torna-se vítima das suas próprias estratégias, transformando o kilombo em um verdadeiro campo de batalha. Negros sobreviventes foram amarados e torturados entre os milhares de irmãos estendidos as margens do rio.

Setembro de 1759…

As águas do Rio Misericórdia foram matizadas de vermelho com sangue real da sua majestade o rei Ambrósio que juntos de negros guerreiros, morreram lutando por um ideal maior chamado LIBERDADE.

Foi uma luta encarniçada, de que só o rio foi testemunha. O Rei Ambrósio e seu exército terminaram suas vidas de lutas e glórias sendo levado de volta a sua terra natal, ao encontro dos seus ancestrais, nos braços dos orixás, de volta ao ventre da Mãe África.

Que os tambores ronquem por esse grande líder negro que lutou e contribuiu para que todos fossem livres um dia, assim se fazendo um grande rei. “AMBRÓSIO O IMORTAL”

Petterson Alves – Carnavalesco